Clayton F. Lino é presidente do Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica. Nosso homem na mata tem a mesma disposição dos que entendem a importância e amam o meio ambiente como a sua casa. »»»
Aventure-se - O que é e a que se destina o Conselho Nacional de Reserva da Biosfera de Mata Atlântica?
Clayton - A reserva de biosfera é um programa da Unesco, um setor da ONU para a ciência e cultura, além da questão ambiental e que tem entre seus instrumentos, a criação e reconhecimento de áreas com importância mundial, quanto à sua biodiversidade e desenvolvimento sustentável. Esse título denominado Reserva da Biosfera, é fornecido pela Unesco, para certas áreas, a pedido do país, onde ele se compromete a alavancar esse processo de desenvolvimento sustentável. A reserva de biosfera de Mata Atlântica é a maior área desse tipo que existe. São 29 milhões de hectares englobando 14 estados, que são administrados pelo Conselho Nacional, através de Comitês Estaduais. Somos uma grande rede paritária formada por governo e outros diversos segmentos da sociedade civil, unidos para lutar por três objetivos: o desenvolvimento sustentável, a conservação da biodiversidade e a promoção do conhecimento científico.
Aventure-se - O que vem a ser esse Projeto Nacional que você defende?
Clayton - No Brasil temos essa visão imediatista, o país vai sendo administrado dia a dia, ano a ano. Qual é o grande projeto do Brasil? Houve momentos em que o país tinha uma perspectiva mais clara do que queria ser, mas hoje as pessoas não sabem para onde estão caminhando.
O Brasil tem certas culpas históricas, um sentimento de inferioridade devido à escravidão, ao colonialismo, passando para momentos de ufanismo. É um país muito adolescente, com grandes oscilações emocionais. Para superar isso só com um projeto nacional. Devemos exigir educação, todo o resto depende disso. O povo que não é educado não consegue ter meio ambiente sadio, emprego decente e muito menos uma posição internacional significativa no papel das nações. Não consegue ter pesquisa, nem tecnologia de ponta, nem aproveitar seus recursos naturais, enfim, não consegue nada, por isso o ponto focal deveria se chamar briga nacional por um projeto de educação no país! Não precisa ser especificamente educação ambiental ou para cidadania; é tudo uma coisa só! Houve alguns avanços localizados, principalmente no primeiro governo FHC, mas ainda são planos de governo, não da nação. Tem que haver uma mudança nacional.