Água

 
O sangue da Mãe Terra  
Por: Marcelo Baglione

Dos 97% de água salgada existentes na Terra, apenas 3% são de água potável, cabendo ao Brasil a guarda de 8% desta riqueza em suas bacias hídricas; uma respeitável reserva mundial do petróleo branco do século XXI. »»»

Entre os dias 17 e 22 de março (Dia Mundial da Água) de 2000, realizou-se em Haia, na Holanda, o II Fórum Mundial das Águas, que discutiu e propôs uma conscientização planetária em torno dos recursos hídricos existentes, bem como a sua sábia gestão.

No documento elaborado em Haia, dos sete importantes desafios para a obtenção de água no próximo século, um item me chamou muito a atenção: "atribuir valor econômico à água". Eu acrescentaria: atribuir valor econômico e ecumênico à água, pois nada nesta luta de conscientização mundial irá adiante sem compaixão e solidariedade entre os povos e seus governantes.

Um exemplo disto, é a séria disputa territorial entre Israel e Síria que já é, há algum tempo, uma luta pela valiosa água tão escassa naquela região.O Fórum Mundial das Águas traz, no entanto, uma certeza: gestão da água é gestação da vida.

A água, o sangue da Mãe Terra concentrada nas bacias hídricas do mundo, é imprescindível para a vida na biosfera. Mas se a água é vida, por que o progresso mundial agride constantemente a Terra, a casa de todos nós?

Uma dádiva, não uma esmola

É impossível falar na divisão de riquezas ambientais como a água potável sem uma política de solidariedade, pois a água, como herança comum de toda a humanidade, não pode se tornar mais um tipo de ouro negro que atende somente aos interesses de castas políticas e econômicas, em detrimento das reais necessidades da espécie humana.

Este precioso bem não é esmola, pois a vida não é um óbolo: é dádiva, e, como tal, deve ser dividida e ofertada com racionalidade e equilíbrio.

Neste ciclo de conscientização mundial sobre a água potável no século XXI, o Brasil tem uma posição importantíssima como depositário de uma estupenda reserva de água doce, ainda mais se controlar direito as quase cinco mil prefeituras aqui existentes: as maiores poluidoras de nossas águas.

Acreditem: as mineradoras, as indústrias e agroindústrias não conseguem poluir mais as águas do que as prefeituras brasileiras. Até quando teremos que aturar estas improbidades ambientais cometidas contra a água, um bem que já é valorizada a peso de ouro em certas parte do mundo? Se o Brasil não abrir os olhos para esta vital e estratégica questão, ficaremos à mercê da cobiça internacional que somente degradará a nossa soberania biosférica.

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