Ecoturismo

 
Latrocínio ambiental  
Por: Marcelo Baglione

Acredita-se que mais de meio milhão de pessoas pratiquem o ecoturismo no Brasil. Mesmo como atividade econômica recente, o ecoturismo deve empregar no país mais de 30 mil pessoas diretamente, através de mais de 5 mil empresas e instituições privadas. Mas o que isso tudo significa realmente? »»»

Se bem trabalhado aqui no Brasil, o ecoturismo ainda poderá se tornar uma das grandes alavancas de desenvolvimento e conscientização nos âmbitos social e educacional, e não apenas um promissor veio de negócios e fortunas emergentes através de uma relação amigável e inteligentemente sustentável com o planeta.

Ainda mais se os responsáveis por este "emergente nicho de mercado" - cidadãos, especialista e empresários - compreenderem este setor econômico como parte de um todo orgânico sem o qual vida alguma pode existe na Terra: a Biosfera, que é vasta, porém limitada, mas prodigiosa e abundante em seus recursos no Brasil.

Nem saída, nem solução

O ecoturismo é um natural estágio de desenvolvimento e conscientização de uma nação que tem uma das mais ricas biodiversidades do planeta, mas que ainda convive, infelizmente, com políticos repulsivos e percentuais humilhantes de analfabetismo e miséria a dar com pau, por exemplo.

O que não podemos aceitar, entretanto, é um ecoturismo travestido, mascarado num simples turismo econômico voraz; gerando, assim, mais um meio de exploração, como o que é feito com a commodity anatômico-sexual, a bunda.

Se não for corrompido em seus propósitos, tenho firmes esperanças de que o ecoturismo ainda será um dos grandes aliados nacionais da educação bem como das gerações futuras que perceberão a Terra como uma reserva ambiental única que necessita ser conservada com determinação e solidariedade; estabelecendo, desta maneira, o fim da errônea concepção que limita a preservação ecológica a algumas áreas geográficas, como se a natureza tivesse que ser cuidada de uma maneira setorial e isolada.

Esta forma de compreender o meio ambiente só ampliará o mercado de turismo ecológico que deve gerar riquezas, divisas, empregos, mas, acima de tudo, benefícios sociais amplos e um grau de consciência ambiental maduro e duradouro.

Educação, antes de tudo

Mas nada disso irá adiante sem uma coisa que deve existir desde o berço: educação, respeito para com a natureza e todos os entes biosféricos. Para que uma consciência ecológica floresça com plenitude, é essencial que uma ecopedagogia seja disseminada desde cedo em todo os níveis de ensino.

Deste modo, não estaremos criando simples fiscais da natureza, mas verdadeiros cidadãos da biosfera. Ecoturismo sim; mas com educação e ecopedagogia também.

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